A primeira parte está aqui Desencarnar
"Se você fizer isso agora ela vai virar um monstro. Ela vai viver, mas não acho que vá sobreviver".
Sophia relaxou os braços e deixou as mãos penderem dos lados do corpo, as lágrimas de sangue eram escuras e ainda estavam úmidas. Longos riscos desciam pelas bochechas até o pescoço.
"Que escolha eu tenho...?" ela olhou uma última vez para ele e entrou no pequeno banheiro que havia dentro do quarto.
Enquanto lavava o rosto, ele apareceu atrás dela na porta.
"Você..." ele deixou sair um longo suspiro "Você pode esperar até ela morrer... E então transformá-la" ele completou, observando-a dirigir um olhar desconcertado para ele através do espelho.
"Como exatamente eu posso explicar isso aos médicos? " ela se virou pra ele, enxugando o rosto com uma toalha.
"Não explique. Levamos ela pra casa e esperamos a hora certa. Ninguém vai desconfiar. Ela está estável, não acham que ela vai morrer, mas logo mais ela vai começar a enfraquecer ".
"E se não for como você está imaginando que é? E se eu não conseguir transformá-la? " Não era como se ela o acusasse, mas era mais que natural que ela não quisesse deixar a vida de sua filha nas mãos de um 'estranho'.
"Isso é tudo que eu sei. É tudo que eu posso fazer por você" ele pegou a toalha da mão dela e limpou uma mancha restante no pescoço dela.
"Mãe?" Helena estava fraca, e também sua voz quando chamou por Sophia.
Ela saiu do banheiro em direção a cama "Ei, pequena, como você tá?"
"Eu tô esquisita... Tem um negócio quente atrás da minha cabeça " no momento que Helena falou, Sophia olhou para Ralf e ele se aproximou. Ele colocou sua mão atrás da cabeça dela.
"Ela tá muito quente. Tá enfraquecendo... Se você vai fazer, tem que ser agora" ele alcançou a mão de Helena e segurou entre as suas. "Você vai ficar legal... Descansa... "
Helena fechou os olhos e Sophia saiu em seguida.
Ela encontrou o médico que estava observando Helena mais cedo e não teve problemas em convencê-lo que ela sabia o que estava fazendo. Ela assinou os papéis e saiu.
O médico ficou parado por um tempo, pensando por que tinha mantido Helena no hospital todo esse tempo se ela parecia tão bem essa manhã.
Sophia voltou ao quarto, Ralf já tinha desconectado o equipamento de monitoração e esperava por Sophia, ainda segurando a mão de Helena.
"Tudo pronto, vamos " ela disse, se aproximando da cama. Quando fez menção de carregar Helena, Ralf interrompeu. "Você carregou ela por ai um monte hoje, agora é minha vez ".
Ele não fez muito esforço para pegar a garota e carregá-la nos braços.
"Eu dirijo "ele disse quando chegaram ao estacionamento "entre no banco de trás pra eu colocar ela no seu colo ".
Sophia fez como lhe foi dito. Ela se sentiu aliviada de tê-lo por perto, apesar das diferenças, ela gostava dele, e se sentia segura em confiar nele agora.
"Por que isso tá acontecendo?" Sophia perguntou após longos minutos de silêncio entre eles.
"O corpo dela não está preparado pra esse tipo de readaptação. Ela é muito frágil pra aguentar. É raro encontrar tanto um metamorfo quanto um lobisomem que tenha sido amaldiçoado antes dos vinte e tenha sobrevivido ".
Ele olhou para ela pelo retrovisor.
"Ela vai sofrer, não vai?"
"Eu acho que sim... Isso... Nunca para de machucar, pra falar a verdade. Depois que a mutação começar... Vai doer até ela morrer. E ai ela vai voltar a forma humana... Não acho que vai ser legal".
